27 de agosto de 2013

A Criança de 2 a 3 anos.

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Hora de impor limites

Algumas crianças aos dois anos de idade nem saíram das fraldas mas já querem mandar em todos da família. É hora de mostrar quem manda para não criar uma situação de grandes conflitos no futuro.



Uma das tarefas mais difíceis na educação das crianças é o momento de impor limites. Muitos pais não sabem a hora certa de negar as coisas para seus filhos, porém quando limites não são impostos, eles terão dificuldade de aceitar um simples não. Não existem regras para dar liberdade ou não as crianças, afinal, cada família deve levar em conta os costumes próprios e a confiança que o filho tem. 
É importante ressaltar que a família e a escola têm papel fundamental na educação de valores para as crianças. Os pais que sempre estão por perto e mostrem com exemplos e atitudes o que é certo, permitem a construção de um comportamento mais maduro por parte dos filhos. Vale ficar atento por que os filhos também costumam fazer pedidos inesperados aos pais como uma forma de testá-los. 
Crianças, a partir dos 2 anos, começam a ter autonomia natural e é necessário que os pais entendam este processo de crescimento pelo qual passa o filho. É preciso deixar a criança livre para que ela aprenda a se defender, porém, sempre estando por perto para se fazer presente e preocupado para que ela não cresça infantilizada.
Sempre equilibre os desejos com o que é permitido. A criança não poderá escolher se vai estudar ou não, ou se fará a lição de casa ou não, mas poderá escolher o esporte que vai praticar, por exemplo. Por isso se faz necessário acompanhar de perto o crescimento dos filhos para que você faça que ele entenda que cada escolha tem hora certa e acarretam renúncias.
Ou você também pode atender aos pedidos da criança conforme ela mostrar que é responsável e sabe se colocar bem nas situações cotidianas. Com isso, você colabora para que ela seja mais capacitada ao enfrentar dificuldades e crie soluções próprias para seus problemas.
Se seu filho pede para dormir fora de casa, na casa de um amiguinho, o que você fará? Normalmente, ainda mais nesta idade, a resposta é não. Porém as coisas não funcionam assim. Verificar o que acontece no mundo da criança, quem são seus colegas, seus pais e que tipo de criação que recebe, é o primeiro passo. E isso deve estar de acordo com a criação dada ao seu filho. Se estiver tudo bem, não há por que não permitir que seu bebê durma na casa do amiguinho, afinal, este é o momento ideal para que ele comece a pôr em prática a socialização fora do ambiente do lar.
Paula R. F. Dabus

Posso trocar o leite integral pelo leite desnatado?

O consumo de leite de vaca integral é benéfico entre 1 ano e 2 anos de idade, após essa idade já se pode trocá-lo pelo leite desnatado.

Primeiro é o leite do peito ou em alguns casos a fórmula, depois vem laticínios como queijos e iogurtes. Então, entra na dieta da criança o leite integral. A pergunta é: Posso trocar o leite integral pelo leite desnatado?
Especialistas afirmam que os pais devem esperar um pouco antes de colocar o leite desnatado na dieta da criança.
Queijo e iogurtes são acrescentados na dieta por volta dos oito meses. O leite integral entra geralmente perto do primeiro aniversário. Alguns pais querem saber logo quando podem dar aos filhos o mesmo leite que bebem, o desnatado. 
Entre 1 ano de idade e 2 anos de idade seu bebê deve ser alimentado, idealmente, com leite integral pela gordura extra que ele contém. Essa gordura é importante porque, com menos de dois anos de idade, ela ajuda a desenvolver o cérebro, o crescimento e a absorção de algumas vitaminas, especialmente a A e a D. Já o leite desnatado, geralmente, tem muita proteína e muitos minerais para crianças abaixo de dois anos. Por isso, até o segundo aniversário do seu bebê, é melhor manter na dieta o leite, o iogurte e o queijo integral.
Mas, considere os números: um bebê de 24 meses precisa de pelo menos 500mg de cálcio por dia. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, isso é o equivalente a duas xícaras de leite integral ou quatro fatias de queijo. Curiosamente, o leite desnatado tem mais cálcio que o integral. Então, se mudar do leite “gordo” pelo leite “magro” aos dois anos de idade do seu filho, você estará tirando a gordura extra que ele talvez não precisa mais e aumentando e a quantidade de cálcio que ele necessita. 
O pediatra acompanhará de perto a curva de crescimento do bebê para garantir que a dieta está adequada. Se achar necessário, o profissional poderá introduzir alimentos mais calóricos para permitir um crescimento e desenvolvimento constante. Dificilmente, o pediatra vai impor uma dieta de baixa calorias antes dos dois anos mas com a epidemia de obesidade no mundo é possível que seja necessário limitar as quantidades de sucos de frutas, refrigerantes e doces. Outros médicos seguem com uma dieta mais calórica até os três anos. Converse com o pediatra para saber que caminho adotar na consulta de dois anos do seu filho.
Adaptação da Sociedade Brasileira de Pediatria (2008).

Tipos de leite para crianças de acordo com a idade
IdadeTipo de alimento
Até completar 6 mesesAleitamento materno exclusivo
Dos 6 meses a 1 anoLeite materno. Neste período não é recomendável que bebês consumam leite de vaca, aconselha-se que fórmulas industrializadas sejam oferecidas. Clique aqui e veja uma alternativa à essa recomendação.
De 1 ano a 2 anosLeite materno e Leite de vaca integral (ou fórmulas ou outro tipo indicado pelo pediatra de acordo com as necessidades/restrições da criança)
De 2 anos em dianteLeite de vaca integral, ou semidesnatado, ou desnatado (ou fórmulas ou outro tipo indicado pelo pediatra de acordo com as necessidades/restrições da criança)

A Hora do desfralde

A hora do desfralde deve ser iniciada quando a criança estiver na fase correta, independente da idade dela.

Entre as muitas dúvidas que têm aparecido no consultório ultimamente, uma das mais comuns e aparentemente simples de se resolver é quando iniciar o “treinamento do xixi” ou, em outras palavras, a hora do desfralde. Já escrevi muitas matérias no meu site (pode procurar lá), mas ainda acho que há uma nova orientação a ser dada.
E apesar de reconhecer que os custos das fraldas podem muitas vezes perturbar alguns pais e que o “desconforto” causado pelo incômodo da criança quando suja ou molhada, associado ao aroma peculiar e normalmente desagradável que exala dessas fraldas, nada justifica os riscos causados pela sua retirada precoce.
É sempre importante, tanto nessa quanto em outras questões, respeitar o ritmo da criança. É necessário que a criança tenha as condições de entender o processo para que ela possa ser desfraldada sem que isso cause transtornos emocionais, psicológicos e até clínicos. Quem tem intestino preso ou infecção urinária, por exemplo, sabe o quanto essas situações são incômodas. E elas podem ter tido seu início com a ansiedade dos pais, cuidadores e da escola na retirada das fraldas.
Criança usando fraldas olhando para o vaso sanitário - Foto: jamiehooper/ShutterStock

Então, como saber que uma criança está preparada para tirar as fraldas?

Cada criança é única e precisa ser acompanhada individualmente. Normalmente, qualquer tentativa antes dos 2 anos e meio a 3 anos pode ser frustrante para todos. O desenvolvimento neuro-psico-motor segue a direção crânio-caudal, ou seja, da cabeça para os pés e do centro para a periferia do corpo, ou seja, de dentro para fora. 
Assim, não adianta esperar que uma criança que não sabe ficar de pé ande. E mesmo quando ela começa a andar, as quedas são frequentes porque o equilíbrio adequado ainda não se desenvolveu.
Assim é também em relação às fraldas. Apesar da musculatura envolvida ser a mesma, tanto para o controle das fezes, quanto da urina, os esfíncteres são separados e o habitual é que a criança consiga desenvolver a habilidade do sistema digestório antes do urinário.
Devemos observar neste processo, três fases distintas para saber qual o momento de iniciar o “treinamento” e não o “condicionamento”. Vamos a elas?

FASE -1 – A criança consegue te avisar que FEZ

Até esse momento, a criança anda com suas fraldas “pingando pela casa” ou “difundindo o cheiro” sem que isso a incomode. Se ela não tem essa consciência (que as fraldas já estão inapropriadas para o uso), não há como querer que ela entenda que precisa exercitar o controle.
Algumas crianças podem até querer tirar as fraldas quando percebem que elas estão molhadas ou sujas e isso pode já ser um sinal de que ela está preparada para a próxima fase, mas não que ela saiba controlar as suas eliminações. Se a fralda for retirada nesse momento, a chance de ocorrerem “vazamentos” é imensa e a de sucesso é muito, muito reduzida.

FASE -2 – A criança consegue te avisar que ESTÁ FAZENDO

Agora a criança começa a perceber que algo diferente está acontecendo. Além de já se sentir desconfortável com a fralda cheia de fezes e/ou urina, ela começa a ter a sensação das suas passagens pelo reto ou pela uretra, mas não consegue ainda conter ou reter. Em grande parte dos casos, a criança escolhe um cantinho, senta ou se agacha, olha para os pais com carinha de “tô fazendo” e começa a se incomodar quando terminou, quase que exigindo ser limpa. 
Muitos pais, professores (nas escolinhas) começam aqui a tentativa de treinamento do controle. Mas para que essa atitude tenha sucesso, seria necessário um passo que a criança ainda não conseguiu: o segurar, a hora de segurar e soltar depois, a hora de soltar. Ou seja, ainda falta o principal: a consciência. Nessa fase, as crianças podem até ser “condicionadas” que, apesar de ser um sinônimo em alguns dicionários, ainda é diferente de serem “treinadas”. 

FASE -3 – A criança consegue te avisar que QUER FAZER

Depois de algum tempo, individual para cada criança, começa a ocorrer uma evolução. Nessa fase, a criança começa a ter o controle e consegue segurar as fezes e a urina. Muita gente já ouviu falar das fases de desenvolvimento especificadas por Freud?
  • Fase oral (0 a 18 meses/2anos);
  • Fase Anal (18 meses/2 a 3/4 anos);
  • Fase Fálica (3/4 a 5/6 anos);
  • Período de Latência (5/6 anos a 11/12 anos);
  • Fase Genital (11/12 anos a 17/18 anos).
Freud pode ter sido um dos responsáveis pela precocidade do treinamento quando estabeleceu que aos dois anos inicia-se a fase anal. O fato de ela se iniciar aqui, aos dois anos, ainda não significa que a criança esteja totalmente preparada para controlar e exercer a função segurar / soltar de forma correta e nem que ela já tenha consciência disso.
Você já pensou por que razão, quando temos vontade de urinar ou evacuar, nós dizemos que “vamos ao banheiro”?
Acompanhem os passos desse processo:
  • Sentir a vontade de urinar ou evacuar;
  • Reter (segurar) fezes / urina;
  • Ir ao banheiro;
  • Tirar a roupa do caminho (calça ou vestido, cueca ou calcinha, fraldas ainda);
  • Sentar;
  • Liberar os esfíncteres (relaxar a musculatura);
  • Esvaziar o reto e/ou a bexiga;
  • Fazer a higiene local adequada (ser limpo ou se limpar);
  • Vestir a roupa novamente;
  • Lavar as mãos;
  • Acabou.
Fazer é fácil quando não temos que pensar em tudo isso, ou seja, quando isso já é nosso hábito. Se a criança estiver aprendendo, sendo “treinada” e os passos seguidos não forem nessa ordem exata... A coisa pode se desastrosa, não é mesmo?
Assim, é nesse momento que devemos pensar em iniciar o treinamento. Isso deve ocorrer quando a criança começa a segurar fezes e urina e olha para os pais/professores com cara de “E agora o que é que eu faço?”.
Nesse momento, toda atenção dever ser dada a esse treinamento, atendendo imediatamente à necessidade da criança, nunca criticando e nem punindo o insucesso e sempre se colocando ao lado da criança, tanto apoiando e estimulando, quando não der certo, como elogiando e “vibrando” com os bons resultados.

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